• 8 de agosto de 2020

A perseguição aos cristãos no Irã

No Irã, país que ocupa a 9ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2020, a média de pressão aos cristãos permanece no mesmo nível extremamente alto (14,9) que no ano anterior. O governo iraniano exerce pressão aos cristãos em larga escala.

Embora todas as esferas da vida mostrem níveis extremos de pressão, ela é maior na igreja e nação. Isso reflete que a pressão vem principalmente do governo. Toda a vida da igreja é muito restrita, mesmo para cristãos étnicos reconhecidos oficialmente, que não têm permissão para evangelizar ou mesmo falar em persa durante os cultos. A pontuação para violência permanece em 10,4 desde 2019.

O cristianismo é considerado uma influência ocidental condenável e uma constante ameaça à identidade islâmica da República. Isso acontece, principalmente, porque o número de cristãos está crescendo e até mesmo filhos de líderes políticos e espirituais estão se convertendo do islã ao cristianismo.

O número de cristãos ex-muçulmanos também continua crescendo. Como cultos na língua local são proibidos, a maioria dos cristãos ex-muçulmanos se reúnem em igrejas domésticas informais ou recebem informações sobre a fé cristã via mídia, como TV via satélite e sites cristãos.

Em um esforço para impedir a influência ocidental, o governo limitou a velocidade da internet e proibiu a posse de antenas parabólicas. Ele dificulta o acesso a canais via satélite e sites que desaprovam, inclusive a mídia cristã. Parte de seu alvo é desacelerar o crescimento da igreja e, principalmente, sites cristãos com foco em evangelismo são bloqueados. Pessoas ativas no ministério com muçulmanos e muçulmanos interessados no cristianismo correm o risco de serem questionados e/ou presos.

Convertidos ex-muçulmanos não podem praticar a fé abertamente. Qualquer indício de que sejam cristãos pode ter sérias consequências. Se são os únicos cristãos na família, precisam ser cuidadosos na maneira de adorar. Todos os cristãos no Irã são colocados sob pressão para renunciar à fé. Cristãos ex-muçulmanos são considerados imundos, especialmente em vilas, áreas rurais e em cidades conservadoras. Radicais islâmicos não apertarão as mãos, tocarão ou comerão a comida de cristãos. Todos os tipos de cristianismo, e principalmente convertidos caso a nova fé é descoberta, podem experimentar perseguição e discriminação no local de trabalho, seja pelo Estado ou por empregadores do setor privado.

Enquanto o atual regime islâmico mativer o controle de todas as instituições do governo e domínio sob a economia iraniana, é improvável que as coisas realmente mudem no país. Há um desenvolvimento positivo, já que cada vez mais iranianos não confiam no regime e pedem abertamente por mudança. Um distanciamento da religião do Estado, por meio de uma forma de secularismo, pode ser uma opção, já que essa influência está crescendo. Entretanto, essa influência ainda é muito fraca para esperar qualquer mudança em um futuro próximo.

Quanto mais a interação com o resto do mundo se torna possível, por meio da internet e pelo contato com milhares de iranianos no exterior, mais os serviços de segurança intensificarão o monitoramento. Como resultado, minorias religiosas, como os cristãos, são geralmente monitoradas mais de perto, especialmente aquelas com contato com religiosos ocidentais. Além disso, o governo iraniano provalmente continuará com a prática de arruinar financeiramente cristãos presos por meio de fianças muito altas. É provável que as autoridades locais usem a perseguição para enriquecer.

Uma república islâmica xiita

O islamismo xiita é a religião oficial do Estado e as leis devem ser consistentes com a interpretação oficial da sharia (conjunto de leis islâmicas). Isso faz com que a opressão islâmica seja o principal tipo de perseguição no Irã. O zelo por manter o poder também tem como objetivo proteger os valores da Revolução Islâmica de 1979. Isso caracteriza a paranoia ditatorial, outro tipo de perseguição presente no país. Como o regime iraniano tenta expandir a influência do islamismo xiita, ele é a principal fonte de perseguição no país, pois vê os cristãos como uma séria ameaça. Embora haja relatos de pressão da família e da comunidade sobre os convertidos, a sociedade é muito menos fanática que a liderança do país em si.

Os cristãos ex-muçulmanos são o maior grupo de cristãos no país, e há ainda muitos iranianos que se convertem no exterior. O segundo maior grupo são os cristãos étnicos ou históricos, que vêm de gerações: os armênios e assírios. Eles são os únicos cristãos que são reconhecidos pelo governo e protegidos por lei, mas são tratados como cidadãos de segunda classe. Eles também são proibidos de ter contato com cristãos ex-muçulmanos ou de permitir que eles participem de seus cultos.

Os cristãos ex-muçulmanos suportam o peso da perseguição no Irã. Líderes dos seus grupos são presos, acusados e recebem penas de vários anos de prisão por “crimes contra a segurança nacional”. Por isso, são um constante pedido de oração. Não deixe de orar pela Igreja Perseguida no Irã.

Além de orar, você pode contribuir para que os cristãos perseguidos no Irã e outros países muçulmanos no Top 10 da Lista Mundial da Perseguição recebam estudo bíblico. Dessa forma, o corpo de Cristo se fortalece, estando preparado para viver a vida cristã em qualquer situação. Doe e faça parte da obra de Deus de edificar sua igreja nesses países.

Fonte: Portas Abertas

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